A abordagem terapêutica da Psicologia Feminista integra a compreensão das dinâmicas de poder, género e cultura na forma como experienciamos e cuidamos da nossa saúde mental individual. Parte do princípio de que o sofrimento humano não acontece num vazio, mas sim num contexto social que influencia profundamente a forma como nos vemos, como nos sentimos e como vivemos.
Durante décadas, o sofrimento das mulheres foi explicado quase exclusivamente com base em traços individuais ou questões familiares, deixando de fora os fatores culturais, políticos e económicos que limitam o seu bem-estar e liberdade emocional. A Psicologia Feminista propõe um reenquadramento: em vez de olhar para a ansiedade, a tristeza ou a exaustão como falhas pessoais, entende-as como respostas a sistemas e narrativas sociais que exigem demasiado e oferecem pouco suporte.

O que está mal quando não te sentes bem?
Durante demasiado tempo, o sofrimento humano — e particularmente o sofrimento das mulheres — foi interpretado como algo interno, privado, desconectado das condições sociais em que a pessoa vive.
A Psicologia Feminista propõe outra leitura: e se os teus sintomas forem uma resposta legítima a normas sociais injustas? E se a tua ansiedade, exaustão ou tristeza forem formas de resistência silenciosa a papéis, exigências e desigualdades com que tens vivido em piloto automático?
A Psicologia Feminista acredita que a experiência humana é moldada por fatores culturais, políticos e económicos. Por isso, o acompanhamento psicológico não se limita à análise dos sintomas, mas estende-se à reflexão conjunta sobre as dinâmicas de poder, género e privilégio que afetam a vida da pessoa.
O que é que a Psicologia Feminista coloca em causa?
Esta abordagem traz para o centro da conversa temas muitas vezes silenciados, como:
- A naturalização do sofrimento feminino e a desvalorização dos sintomas das mulheres;
- A pressão para corresponder a um ideal (de mãe, companheira, mulher “perfeita”…);
- A desigualdade de género nos cuidados, na educação e carreira, na saúde…
- A necessidade de autonomia emocional nas relações, na maternidade e nas escolhas de vida;
- O impacto do machismo endémico sobre pessoas mais vulneráveis (LGBTQIA+), minorias étnicas e sobre os próprios homens.
Mais do que aliviar sintomas, a Psicologia Feminista procura criar espaço para que cada pessoa se reconheça, se reescreva e recupere poder sobre a sua própria história.
Vamos a um exemplo? O estranho caso da exaustão materna
A exaustão feminina é uma queixa comum nas consultas de psicologia, sobretudo no período perinatal. Vivemos num tempo que valoriza a produtividade e o desempenho, onde “quanto mais faço, mais valho” — ou, em sentido inverso, “se não consigo fazer, então sou insuficiente”. Esta pressão atravessa todos e intensifica-se com a maternidade.
A Psicologia Feminista ajuda-nos a compreender que:
- O valor da mulher continua, muitas vezes, a ser definido pela maternidade. Espera-se que as mulheres sejam mães — e que o façam “bem”. A lupa que se coloca sobre as mães amplia todas as “falhas” e raramente é justa.
- A divisão de tarefas continua desigual. Mesmo trabalhando fora de casa, são as mulheres que assumem a maior parte do trabalho doméstico e dos cuidados com os filhos e com os mais velhos.
- A carreira profissional sofre um abalo com a maternidade. Muitas mulheres enfrentam estagnação, discriminação e desigualdade salarial, o que gera preocupações constantes com a autonomia e a segurança financeira.
- Há uma pressão estética e emocional constante. Espera-se que estejamos bem, com tudo sob controlo — corpo, casa, filhos e emoções.
- Os cuidados de saúde nem sempre nos reconhecem. Os sintomas físicos e psicológicos das mulheres são frequentemente minimizados (“é stress”, “são as hormonas”, “coisas de mãe”) ou excessivamente patologizados, sem uma análise crítica do contexto em que surgem.
A Psicologia Feminista oferece então um reenquadramento poderoso: em vez de tratar o mal-estar como falha individual, convida-te a vê-lo como consequência de um sistema que exige demais, apoia pouco e valida ainda menos. Ao fazê-lo, abre a porta à autocompaixão.

A liberdade emocional materna não é um mito
A nossa sociedade, que empurra quase todas as mulheres para uma maternidade não questionada, também define esse papel de mãe como castrador ou impeditivo de que a mulher se realize plenamente. Podemos questionar esta narrativa? A verdade é que a maternidade, por mais desafiante que seja, pode também ser a transição para uma melhor relação contigo própria. O contacto diário com uma criança pequena — com a sua vivência emocional intensa, ainda por regular — pode lançar-te numa viagem profunda de autoconhecimento e aceitação. Pode despertar em ti o desejo de fazer diferente. De viver mais alinhada com os teus valores. De deixar à tua filha ou filho um mundo mais livre, mais justo.
Mas para isso acontecer, é preciso deixar de carregar o peso sozinha.
E aceitar que pedir ajuda também é um ato de liberdade.
Como pode a Psicologia Feminista transformar a tua vida?
Se alguma vez sentiste que o teu sofrimento foi desvalorizado, que te disseram que estavas a exagerar ou que a tua tristeza era falta de gratidão — então esta abordagem pode ser um ponto de viragem.
Com a Psicologia Feminista, podes:
- Perceber que o teu sofrimento faz sentido no contexto em que vives
- Reescrever crenças sobre o que significa ser mulher, mãe ou companheira
- Estar num espaço terapêutico seguro, sem julgamento, com lugar para tudo o que és
- Sentir-te acompanhada por alguém que valida a tua experiência e partilha o poder contigo
- A liberdade começa quando te permites olhar para ti com mais compaixão e verdade.
E esse caminho não tem de ser feito sozinha.
Se estas palavras ressoaram contigo e sentes que precisas de apoio para reencontrar o teu equilíbrio emocional, a equipa da The Lovable You está aqui para te acompanhar.
A Psicologia Feminista pode ser o início de uma nova forma de viver — mais consciente, mais leve, mais tua.
Brown, L. (2009). Feminist Therapy. American Psychological Association.
The Lovable You (2024). Princípios Feministas para a Prática Clínica.